A criança aprende com o outro: desenvolvimento, relação e o papel de quem está perto

Existe uma ideia difundida de que a criança aprende quando é ensinada, quando alguém explica, corrige, mostra o “certo”. Mas quem observa crianças com atenção percebe que boa parte do desenvolvimento acontece de outro jeito: nas brincadeiras com outras crianças, nas conversas ao redor da mesa, na forma que um adulto faz algo enquanto a criança assiste. O aprendizado não começa quando a instrução começa. Ele começa muito antes, na relação.

O que Vigotski ensinou sobre aprender com o outro

Lev S. Vigotski, psicólogo bielo-russo cujo trabalho segue sendo uma das referências mais sólidas para entender o desenvolvimento infantil, observou que aquilo que a criança consegue fazer hoje com a ajuda de alguém é o que ela conseguirá fazer sozinha no futuro. Não é uma questão de depender do outro, mas de entender que o desenvolvimento humano é essencialmente relacional. A família, a escola, os pares, a cultura do lugar onde se cresce: tudo isso entra na constituição de quem a criança vai se tornando. Ou seja, a aprendizagem acontece primeiro nas relações sociais e, por meio da orientação, da cooperação e da mediação das pessoas, a criança se apropria de conhecimentos e formas de pensar produzidos pela cultura, desenvolvendo capacidades que mais tarde poderá exercer de forma autônoma.

elementos geográficos representando como a criança aprende com o outro

O que isso muda na forma de olhar para a criança

Em vez de perguntar “o que há de errado com essa criança”, a pergunta passa a ser “o que está acontecendo ao redor dela”. Por isso, uma dificuldade de aprendizagem, um comportamento que preocupa, uma timidez que não passa: todos esses aspectos ganham outro sentido quando considerados dentro do contexto de vida da criança. É a partir desse olhar que trabalho com crianças, adolescentes e adultos, em Joinville e online. Temas como o impacto das redes sociais nesse contexto relacional estão discutidos no texto Redes Sociais e Infância: como os pais podem ser parceiros na vida digital dos filhos, também do blog da Práxis.

Acompanhar uma criança no desenvolvimento não é corrigi-la. É estar presente, mediar experiências e criar condições para que, nas relações com os outros, ela desenvolva capacidades que mais tarde poderá exercer por si mesma.

Referencias:

VIGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Tradução de Maria da Penha Villalobos. ed. 11. São Paulo: Ícone, 2010.

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