Depois que os filhos saem de casa, o que muda para quem fica?

A saída de um filho de casa altera pequenos gestos que, durante anos, organizaram a vida. A quantidade de comida, o horário de uma conversa e a expectativa de ouvir a chave na porta passam a ter outro lugar. Mesmo quando essa mudança foi desejada e acompanhada com alegria, quem fica pode se surpreender com o que sente.

Na escuta psicanalítica, interessa conhecer o significado dessa partida para cada pessoa. Podem aparecer lembranças de outras separações, perguntas sobre o casal ou sobre a vida que ficou em espera enquanto o cuidado com os filhos ocupava tanto espaço. Saudade, alívio e estranhamento podem coexistir, sem que seja necessário escolher um único sentimento para explicar a experiência.

Falar dessas mudanças permite acompanhar a transformação do vínculo e do lugar que se ocupava na família. O filho segue fazendo parte da história, enquanto novas distâncias e formas de proximidade vão sendo construídas. A análise oferece tempo para que cada pessoa possa escutar o que essa passagem mobiliza e o que começa a desejar para a própria vida.

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