“Parece que eu sempre me envolvo com o mesmo tipo de pessoa.” Essa frase, dita com um misto de cansaço e espanto, é uma das mais comuns em quem começa a olhar para a própria vida amorosa. Relacionamentos diferentes, e ainda assim um desfecho parecido. É justamente aí que os padrões em relacionamentos, tema tão presente na psicologia, encontram na psicanálise uma escuta particular: não a de dar conselhos, mas a de compreender o que se repete e por quê.
Para a psicanálise, o modo como amamos hoje tem raízes no modo como fomos cuidados e amados no início da vida. Os primeiros vínculos, com quem cuidou de nós, deixam marcas sobre o que esperamos do outro, sobre o que nos parece amor e sobre o que aceitamos ou tememos. Não se trata de culpar o passado, mas de reconhecer que ele organiza, muitas vezes em silêncio, o que buscamos numa relação.
Por isso, olhar para esses padrões não é procurar culpados, e sim ganhar liberdade. Atendo crianças, adolescentes, adultos e casais pela psicanálise, dentro do trabalho de psicanálise em Joinville da Equipe Práxis. No atendimento a casais, em especial, o espaço analítico permite que os dois observem juntos aquilo que se repete entre eles, sem transformar a conversa numa disputa.
Compreender o que se repete não faz o passado desaparecer, mas afrouxa o seu comando sobre o presente. Quando alguém percebe, com clareza, o que costuma buscar e temer nos vínculos, deixa de repetir no escuro e passa a poder escolher. E é nessa passagem, do automático para o consciente, que uma relação, com o outro e consigo mesmo, pode se transformar.