Acolher e proteger
Converse em particular, acione a referência da escola e responsáveis seguros. Combine quem acompanhará o caso e quando voltarão a conversar. Não espere o problema “ficar mais sério” para oferecer ajuda.
SETEMBRO AMARELO · PARA QUEM EDUCA
Quando um estudante pede ajuda, o que acontece depois?
Um percurso para professores, orientação e gestão escolar. Explore situações, descubra formas de acolher e prepare os próximos passos.
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01 / EXPERIMENTE UM CAMINHO
Quatro situações fictícias para pensar em equipe. Você pode explorar todas as respostas. Aqui, o objetivo é aprender.
02 / A FORMA DE DIZER TAMBÉM CUIDA
Toque em cada frase para conhecer outra forma de abordar. São exemplos de comunicação, não falas obrigatórias.
03 / ANTES DO CARTAZ, O PREPARO
O estudante precisa saber a quem recorrer, e o adulto precisa saber como continuar o cuidado.
Sugestões práticas adaptadas das referências ao contexto escolar brasileiro. [1–4]
Trabalhe pertencimento, convivência, respeito às diferenças, reconhecimento de emoções e busca de ajuda. Apresente adultos de referência e os caminhos de acolhimento da escola.
Use exemplos fictícios. Permita participar sem contar experiências pessoais e combine uma forma reservada de pedir apoio. Prepare um adulto para acolher quem se sentir mobilizado.
Com crianças: priorize emoções, vínculos, segurança e como buscar um adulto de confiança. Responda às perguntas de forma simples, adequada ao desenvolvimento, sem detalhes desnecessários.
Com adolescentes: inclua como pedir ajuda e acompanhar um colega até um adulto. Conversas específicas sobre suicídio precisam de planejamento, mediação preparada e rede disponível.
Não aplique a mesma atividade em todas as turmas. Os recursos DEAL do Samaritans, por exemplo, são destinados aproximadamente a partir dos 14 anos. [4]
Evite depoimentos improvisados de sofrimento diante da turma, encenações de crises, imagens chocantes, detalhes de métodos e mensagens que romantizem a morte.
Não proponha promessas públicas de felicidade nem responsabilize estudantes por salvar colegas. Incentive a busca de adultos e serviços preparados. Evite caixas de relatos de risco sem uma equipe e um processo de resposta.
Explique o objetivo da atividade, sua adequação à idade, quem fará a mediação e como procurar apoio. Preserve a identidade e a história de estudantes em qualquer comunicado.
Não atribua o suicídio a uma causa única, como uma nota, término ou conflito. Prefira mensagens sobre cuidado possível, tratamento e acesso à ajuda. [1]
Uma perda por suicídio requer um plano específico de cuidado após a morte, chamado posvenção. Procure apoio especializado para orientar a comunicação, acolher o luto e acompanhar a comunidade.
Não divulgue detalhes do método ou local nem transforme a morte em homenagem idealizada. Preserve espaços de luto e apoio, com acompanhamento nas semanas e meses seguintes. [2]
04 / O CUIDADO TAMBÉM É DIGITAL
Jogos, grupos e redes também são lugares de amizade e pertencimento. Para se aproximar, você não precisa imitar gírias: demonstre curiosidade, respeite a experiência do estudante e esteja disponível quando algo sair do controle.
“Não conheço bem esse espaço. Você me explica o que acontece lá?”Uma abertura possível, sem pedir acesso à conta. Evite começar ameaçando retirar o celular. Escute antes de combinar medidas de proteção. [5]
Explore os três contextos. Exemplos de falas e atividades são sugestões pedagógicas da cartilha, adaptadas das referências.
Um servidor é uma comunidade com canais de conversa. Pergunte: “O que faz esse grupo ser legal? O que acontece quando alguém diz não?”
Pressão por segredo, imagens íntimas, exposição pessoal ou atos de violência pede atenção. O foco é a conduta, não o nome do aplicativo.
Oriente o uso de denúncia, bloqueio e controles de contato. No Discord, a denúncia de uma mensagem pode ser feita pelo menu da própria mensagem. Consulte as instruções atuais, sem pedir que o estudante reviva ou reproduza conteúdo violento. [6, 7]
“O que você gosta de jogar? Como vocês lidam com alguém que passa do limite?” Reconheça cooperação e diversão antes de abordar riscos.
Observe relatos de humilhação, discriminação, ameaças ou presentes condicionados a favores. A passagem para uma conversa privada merece atenção quando acompanhada de pressão ou segredo.
Ajude a localizar silenciamento, bloqueio e denúncia do jogo. Envolva responsáveis seguros na revisão de privacidade e adequação etária. Não coloque colegas na função de investigar ou enfrentar o agressor. [7, 8]
“Esse perfil faz você se sentir como? Tem algo circulando que está te preocupando?”
Perfis falsos, montagens, exposição de dados e ataques coletivos merecem acolhimento. Não trate uma postagem isolada como diagnóstico; converse em particular sobre o contexto.
Revise com o estudante quem pode ver publicações, comentar ou enviar mensagens. Diante de conteúdos que incentivam autolesão, não peça que os mostre à turma. Denuncie pela plataforma e acione o cuidado descrito nesta cartilha. [5, 6]
APROXIMAR SEM FORÇAR INTIMIDADE
Use canais institucionais. Não peça senhas, não crie perfis falsos para vigiar alunos nem exponha conversas em reuniões de turma.
Uma proposta para adolescentes: apresente um caso fictício e pergunte “qual atitude de um adulto ajudaria aqui?”. Não solicite nomes, perfis ou relatos pessoais.
Experimente: “Entendo que tem gente importante para você ali. Como podemos te proteger e manter as relações que te fazem bem?”
Sair pode ajudar em alguns casos, mas não apaga a violência nem deve ser a única resposta. [5]
Experimente: “Obrigado por contar. Você não merece ser ameaçado. Vamos buscar ajuda sem espalhar isso.”
Evite interrogatório e culpa. Não peça que a imagem íntima seja enviada para você. [9]
Experimente: “Se alguém foi humilhado ou ficou com medo, precisamos cuidar do que aconteceu.”
Interrompa a circulação, acolha quem foi atingido e envolva a equipe. Não force uma conversa conjunta com o agressor quando houver intimidação. [5, 9]
Converse em particular, acione a referência da escola e responsáveis seguros. Combine quem acompanhará o caso e quando voltarão a conversar. Não espere o problema “ficar mais sério” para oferecer ajuda.
Anote perfil, link, data e horário. Preserve mensagens de ameaça, quando seguro, com acesso restrito. Não baixe, faça cópias ou encaminhe imagens íntimas de menores, inclusive montagens. Busque orientação das autoridades sobre preservação de evidências. [9]
Em chantagem, não pague nem envie mais conteúdo. Interrompa o contato e procure apoio. Suspeita de exploração, coerção ou ameaça exige a rede de proteção e a polícia, além da denúncia à plataforma. Não negocie com o agressor. [9]
Orientação sobre violência onlineCanal de Ajuda da SaferNet ↗Orienta estudantes e adultos que cuidam deles. Não é um canal de denúncias ou emergência. [6]
Proteção de crianças e adolescentesDisque 100Denúncias de violações de direitos. Acione também o Conselho Tutelar e a polícia conforme a situação. [10]
Perigo imediato: emergência policial, 190; urgência médica ou risco de autolesão, 192. Não deixe o estudante sozinho. Consultar orientações de urgência ↗
PARA CONSULTAR QUANDO PRECISAR
O papel da escola é acolher, proteger e acionar a rede. A avaliação clínica cabe a profissionais de saúde.
Busque um local tranquilo, leve o relato a sério e evite julgamento ou sermões. Agradeça a confiança. Não prometa segredo absoluto quando a segurança está envolvida.
Envolva o responsável designado pela escola e os serviços de saúde. Articule o contato com responsáveis seguros. Se houver suspeita de violência familiar, acione também a rede de proteção; não entregue o estudante a uma situação insegura.
Não deixe o estudante sozinho. Acione o SAMU 192 e siga as orientações. Não aguarde consulta, resposta no WhatsApp ou o fim da aula. Reduza acesso a objetos perigosos se puder fazê-lo com segurança.
Urgência médicaSAMU · 192 ↗
Apoio emocionalCVV · 188 ↗Gratuito, 24h. Não substitui emergência.
Continuidade do cuidadoUBS, CAPS/CAPSi e profissionais de saúde da rede local.
Compartilhe apenas as informações necessárias com quem participa da proteção e do cuidado. Registre e acompanhe o encaminhamento conforme o protocolo da escola. [2, 3]
05 / O QUE FICA DEPOIS DE SETEMBRO
Marque o que já existe na escola. O que ficar em aberto pode orientar a próxima reunião.
Suas escolhas ficam apenas nesta página e não são enviadas. Este roteiro não certifica a escola nem avalia risco clínico.
Na Equipe Práxis, estudantes das redes pública e privada de Joinville e região, assim como seus familiares diretos, podem acessar atendimento psicológico com valor social.
O valor reduzido é informado no contato. Para menores de idade, o primeiro atendimento envolve um responsável. Opções online podem ser consultadas conforme disponibilidade.
Atendimento pago com valor social. Canal de informações e agendamento, sem atendimento de emergência.
Material educativo para equipes adultas de escolas. Não substitui formação, avaliação clínica ou protocolo institucional. Orientações internacionais foram contextualizadas para a rede brasileira.
Edição · Setembro de 2026