Práxis · Saúde Mental & Desenvolvimento Humano

SETEMBRO AMARELO · PARA QUEM EDUCA

Uma conversa pode
abrir espaço para
o cuidado.

Quando um estudante pede ajuda, o que acontece depois?

Um percurso para professores, orientação e gestão escolar. Explore situações, descubra formas de acolher e prepare os próximos passos.

Vamos começar uma conversa

Cerca de 12 minutos · No seu ritmo · Sem cadastro

Colagem abstrata de formas conectadas por uma fita, representando uma rede de apoio.
Presença que acolhe.
O cuidado se constrói em rede.

01 / EXPERIMENTE UM CAMINHO

Se acontecesse
na sua escola?

Quatro situações fictícias para pensar em equipe. Você pode explorar todas as respostas. Aqui, o objetivo é aprender.

💬 Uma conversa de cada vezSituação 1 de 4
Explore as escolhas, sem pressa.

02 / A FORMA DE DIZER TAMBÉM CUIDA

Pequenas mudanças.
Mais espaço para escutar.

Toque em cada frase para conhecer outra forma de abordar. São exemplos de comunicação, não falas obrigatórias.

03 / ANTES DO CARTAZ, O PREPARO

Uma campanha
precisa ter
onde acolher.

O estudante precisa saber a quem recorrer, e o adulto precisa saber como continuar o cuidado.

Sugestões práticas adaptadas das referências ao contexto escolar brasileiro. [1–4]

Formas de papel que se abrem, simbolizando espaço para uma conversa.
Antes da atividade, prepare o acolhimento.
🎨 O que propor nas atividades

Trabalhe pertencimento, convivência, respeito às diferenças, reconhecimento de emoções e busca de ajuda. Apresente adultos de referência e os caminhos de acolhimento da escola.

Use exemplos fictícios. Permita participar sem contar experiências pessoais e combine uma forma reservada de pedir apoio. Prepare um adulto para acolher quem se sentir mobilizado.

🧭 Uma abordagem para cada idade

Com crianças: priorize emoções, vínculos, segurança e como buscar um adulto de confiança. Responda às perguntas de forma simples, adequada ao desenvolvimento, sem detalhes desnecessários.

Com adolescentes: inclua como pedir ajuda e acompanhar um colega até um adulto. Conversas específicas sobre suicídio precisam de planejamento, mediação preparada e rede disponível.

Não aplique a mesma atividade em todas as turmas. Os recursos DEAL do Samaritans, por exemplo, são destinados aproximadamente a partir dos 14 anos. [4]

🫶 O que merece ser repensado

Evite depoimentos improvisados de sofrimento diante da turma, encenações de crises, imagens chocantes, detalhes de métodos e mensagens que romantizem a morte.

Não proponha promessas públicas de felicidade nem responsabilize estudantes por salvar colegas. Incentive a busca de adultos e serviços preparados. Evite caixas de relatos de risco sem uma equipe e um processo de resposta.

💬 Como comunicar às famílias

Explique o objetivo da atividade, sua adequação à idade, quem fará a mediação e como procurar apoio. Preserve a identidade e a história de estudantes em qualquer comunicado.

Não atribua o suicídio a uma causa única, como uma nota, término ou conflito. Prefira mensagens sobre cuidado possível, tratamento e acesso à ajuda. [1]

🤍 Se a escola viveu uma perda

Uma perda por suicídio requer um plano específico de cuidado após a morte, chamado posvenção. Procure apoio especializado para orientar a comunicação, acolher o luto e acompanhar a comunidade.

Não divulgue detalhes do método ou local nem transforme a morte em homenagem idealizada. Preserve espaços de luto e apoio, com acompanhamento nas semanas e meses seguintes. [2]

04 / O CUIDADO TAMBÉM É DIGITAL

Do outro lado da tela,
há alguém da sua turma.

Jogos, grupos e redes também são lugares de amizade e pertencimento. Para se aproximar, você não precisa imitar gírias: demonstre curiosidade, respeite a experiência do estudante e esteja disponível quando algo sair do controle.

“Não conheço bem esse espaço. Você me explica o que acontece lá?”Uma abertura possível, sem pedir acesso à conta. Evite começar ameaçando retirar o celular. Escute antes de combinar medidas de proteção. [5]

Explore os três contextos. Exemplos de falas e atividades são sugestões pedagógicas da cartilha, adaptadas das referências.

Discord e gruposPertencer sem precisar se submeter.

Um servidor é uma comunidade com canais de conversa. Pergunte: “O que faz esse grupo ser legal? O que acontece quando alguém diz não?”

Pressão por segredo, imagens íntimas, exposição pessoal ou atos de violência pede atenção. O foco é a conduta, não o nome do aplicativo.

Oriente o uso de denúncia, bloqueio e controles de contato. No Discord, a denúncia de uma mensagem pode ser feita pelo menu da própria mensagem. Consulte as instruções atuais, sem pedir que o estudante reviva ou reproduza conteúdo violento. [6, 7]

Jogos e conversas por vozO jogo importa. O que acontece nele também.

“O que você gosta de jogar? Como vocês lidam com alguém que passa do limite?” Reconheça cooperação e diversão antes de abordar riscos.

Observe relatos de humilhação, discriminação, ameaças ou presentes condicionados a favores. A passagem para uma conversa privada merece atenção quando acompanhada de pressão ou segredo.

Ajude a localizar silenciamento, bloqueio e denúncia do jogo. Envolva responsáveis seguros na revisão de privacidade e adequação etária. Não coloque colegas na função de investigar ou enfrentar o agressor. [7, 8]

Perfis e redes sociaisO impacto não termina ao fechar o aplicativo.

“Esse perfil faz você se sentir como? Tem algo circulando que está te preocupando?”

Perfis falsos, montagens, exposição de dados e ataques coletivos merecem acolhimento. Não trate uma postagem isolada como diagnóstico; converse em particular sobre o contexto.

Revise com o estudante quem pode ver publicações, comentar ou enviar mensagens. Diante de conteúdos que incentivam autolesão, não peça que os mostre à turma. Denuncie pela plataforma e acione o cuidado descrito nesta cartilha. [5, 6]

APROXIMAR SEM FORÇAR INTIMIDADE

Mais interesse.
Menos sermão.

Use canais institucionais. Não peça senhas, não crie perfis falsos para vigiar alunos nem exponha conversas em reuniões de turma.

Uma proposta para adolescentes: apresente um caso fictício e pergunte “qual atitude de um adulto ajudaria aqui?”. Não solicite nomes, perfis ou relatos pessoais.

“É só sair desse grupo.”

Experimente: “Entendo que tem gente importante para você ali. Como podemos te proteger e manter as relações que te fazem bem?”

Sair pode ajudar em alguns casos, mas não apaga a violência nem deve ser a única resposta. [5]

“Por que você mandou essa foto?”

Experimente: “Obrigado por contar. Você não merece ser ameaçado. Vamos buscar ajuda sem espalhar isso.”

Evite interrogatório e culpa. Não peça que a imagem íntima seja enviada para você. [9]

“Era só uma brincadeira.”

Experimente: “Se alguém foi humilhado ou ficou com medo, precisamos cuidar do que aconteceu.”

Interrompa a circulação, acolha quem foi atingido e envolva a equipe. Não force uma conversa conjunta com o agressor quando houver intimidação. [5, 9]

🧭 Chegou um relato de violência online. Como agir?

Acolher e proteger

Converse em particular, acione a referência da escola e responsáveis seguros. Combine quem acompanhará o caso e quando voltarão a conversar. Não espere o problema “ficar mais sério” para oferecer ajuda.

Registrar sem espalhar

Anote perfil, link, data e horário. Preserve mensagens de ameaça, quando seguro, com acesso restrito. Não baixe, faça cópias ou encaminhe imagens íntimas de menores, inclusive montagens. Busque orientação das autoridades sobre preservação de evidências. [9]

Acionar a rede

Em chantagem, não pague nem envie mais conteúdo. Interrompa o contato e procure apoio. Suspeita de exploração, coerção ou ameaça exige a rede de proteção e a polícia, além da denúncia à plataforma. Não negocie com o agressor. [9]

Orientação sobre violência onlineCanal de Ajuda da SaferNet ↗Orienta estudantes e adultos que cuidam deles. Não é um canal de denúncias ou emergência. [6]

Proteção de crianças e adolescentesDisque 100Denúncias de violações de direitos. Acione também o Conselho Tutelar e a polícia conforme a situação. [10]

Perigo imediato: emergência policial, 190; urgência médica ou risco de autolesão, 192. Não deixe o estudante sozinho. Consultar orientações de urgência ↗

PARA CONSULTAR QUANDO PRECISAR

Um estudante pediu ajuda.
O cuidado começa agora.

O papel da escola é acolher, proteger e acionar a rede. A avaliação clínica cabe a profissionais de saúde.

01

Escute com privacidade

Busque um local tranquilo, leve o relato a sério e evite julgamento ou sermões. Agradeça a confiança. Não prometa segredo absoluto quando a segurança está envolvida.

02

Acione o cuidado

Envolva o responsável designado pela escola e os serviços de saúde. Articule o contato com responsáveis seguros. Se houver suspeita de violência familiar, acione também a rede de proteção; não entregue o estudante a uma situação insegura.

03

Em perigo imediato

Não deixe o estudante sozinho. Acione o SAMU 192 e siga as orientações. Não aguarde consulta, resposta no WhatsApp ou o fim da aula. Reduza acesso a objetos perigosos se puder fazê-lo com segurança.

Urgência médicaSAMU · 192 ↗

Apoio emocionalCVV · 188 ↗Gratuito, 24h. Não substitui emergência.

Continuidade do cuidadoUBS, CAPS/CAPSi e profissionais de saúde da rede local.

Compartilhe apenas as informações necessárias com quem participa da proteção e do cuidado. Registre e acompanhe o encaminhamento conforme o protocolo da escola. [2, 3]

05 / O QUE FICA DEPOIS DE SETEMBRO

Cuidar também
é se preparar.

Marque o que já existe na escola. O que ficar em aberto pode orientar a próxima reunião.

Suas escolhas ficam apenas nesta página e não são enviadas. Este roteiro não certifica a escola nem avalia risco clínico.

Trama de papéis entrelaçados, representando uma rede de cuidado.
Uma rede se fortalece com cada vínculo.

Nosso ponto de partida 📌

Por onde sua equipe quer começar?
Fotografia de uma escola em Joinville, utilizada na página do programa para estudantes da Práxis.Iniciativa Práxis desde 2021
Imagem presente na página do programa · Fonte: AMUNESC. Ilustração do contexto escolar, sem indicação de vínculo com esta unidade.
ATENDIMENTO PSICOLÓGICO PARA ESTUDANTES

O cuidado pode
seguir além da escola.

Na Equipe Práxis, estudantes das redes pública e privada de Joinville e região, assim como seus familiares diretos, podem acessar atendimento psicológico com valor social.

📍 Centro de Joinville🕒 Sessões de 50 minutos🌿 Psicólogos habilitados

O valor reduzido é informado no contato. Para menores de idade, o primeiro atendimento envolve um responsável. Opções online podem ser consultadas conforme disponibilidade.

Atendimento pago com valor social. Canal de informações e agendamento, sem atendimento de emergência.

Referências que sustentam este cuidado

Material educativo para equipes adultas de escolas. Não substitui formação, avaliação clínica ou protocolo institucional. Orientações internacionais foram contextualizadas para a rede brasileira.

  1. OMS · Preventing suicide: a resource for media professionals (2023)Comunicação pública responsável, esperança e caminhos de ajuda.
  2. Academia Americana de Pediatria · Suicide Prevention in Schools (2024)Linguagem, acolhimento, encaminhamento e posvenção.
  3. Ministério da Saúde · Suicídio: prevençãoOrientações de ajuda e serviços brasileiros.
  4. Samaritans · Recursos para profissionais da educaçãoEducação emocional e materiais com público etário definido.
  5. UNICEF · Cyberbullying: what is it and how to stop itEscuta, participação, privacidade e resposta à violência online.
  6. SaferNet Brasil · Canal de AjudaOrientação a crianças, adolescentes, famílias e educadores.
  7. Discord · Como denunciar comportamento abusivoRecursos da plataforma. Veja também Canadian Centre for Child Protection: riscos de coerção e contatos abusivos.
  8. Internet Matters · Segurança em jogos onlineOrientações para o diálogo e o cuidado no contexto dos jogos.
  9. eSafety Commissioner · Resposta escolar ao abuso de imagens e à extorsão sexual (2025)Cuidados de acolhimento e evidências; os canais de atendimento foram adaptados ao Brasil.
  10. Governo Federal · Denunciar violação de direitos humanosDisque 100 e rede de proteção.

Edição · Setembro de 2026

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