Sombra, símbolo e sonho: o que a psicologia analítica entende sobre o inconsciente

Há reações que chegam antes do pensamento. Uma irritação desproporcional diante de alguém que mal se conhece. Uma atração inexplicável por certas situações que a razão não aprovaria. Uma cena de sonho que volta com uma intensidade que o dia a dia não justifica. Esses momentos apontam para algo que a psicologia analítica, desenvolvida por Carl Gustav Jung, leva muito a sério: existe uma dimensão da vida psíquica que é mais vasta do que aquilo que conseguimos ver em nós mesmos.

Jung chamou de sombra o conjunto de aspectos que a pessoa não reconhece em si, não porque sejam necessariamente ruins, mas porque não couberam na imagem que foi sendo construída ao longo da vida. Quem se educou para ser sempre gentil carrega uma sombra de raiva que não sabe onde colocar. Quem aprendeu que não pode depender de ninguém tem uma sombra de necessidade que raramente se deixa ver. A sombra não é o inimigo. É o que foi deixado de fora e que continua agindo, especialmente nas reações que surpreendem a própria pessoa.

Os sonhos, para Jung, não são ruído aleatório do sono. São uma forma de a psique se comunicar através de imagens e símbolos, uma linguagem que não segue a lógica do pensamento consciente mas tem uma coerência própria. Atendo adolescentes e adultos em Joinville com orientação na psicologia analítica, e trabalho com esses materiais: o que aparece nos sonhos, as imagens que retornam, os símbolos que fazem sentido mesmo quando não se sabe explicar por quê.

O processo analítico junguiano não é uma decodificação mecânica de símbolos. É um encontro mais profundo consigo mesmo, com as partes que ficaram de fora da história que se conta sobre si. E esse encontro, em geral, muda a forma como a pessoa se relaciona com o que não entende, dentro e fora de si.

 

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