Em muitos relacionamentos longos, chega um momento em que o desejo parece diminuir sem que ninguém tenha percebido quando. O casal continua se gostando, cuida um do outro, divide a vida, e ainda assim algo na intimidade esfriou. Junto com isso costuma vir a culpa e a pergunta silenciosa: “será que há algo errado comigo, ou com a gente?”. A falta de desejo sexual no casal é mais comum do que se imagina, e quase nunca significa o que se teme.
Antes de tudo, vale lembrar que o desejo não é um interruptor. Ele responde ao contexto: ao cansaço, à rotina que ocupa todo o espaço, à forma como o casal se comunica fora da cama. Quando o dia a dia vira uma lista interminável de tarefas, a intimidade costuma ser a primeira coisa a ficar para depois. Não é falta de amor; é falta de espaço, de descanso e, muitas vezes, de conversa sobre o assunto.
Aqui é importante distinguir o que é uma fase e o que é uma configuração que já se acomodou no casal. Com mais de 25 anos de experiência clínica e formação em Terapia Cognitiva Sexual, atendo adultos e casais no cuidado da vida emocional, dos vínculos e da sexualidade, dentro do trabalho de Terapia Cognitivo-Comportamental em Joinville da Equipe Práxis.
Nem tudo o que se afastou precisa voltar a ser exatamente como era; às vezes, a sexualidade do casal se reinventa em vez de simplesmente se recuperar. O que costuma abrir caminho não é a cobrança, e sim a conversa honesta, com apoio, sobre o que cada um sente e deseja. Falar sobre desejo, sem culpa e sem pressa, já é o começo de reencontrá-lo.