A sensação de que já viveu isso antes aparece em momentos específicos dentro dos relacionamentos: o mesmo tipo de conflito, o mesmo silêncio que dói da mesma forma, a mesma sensação de não ser visto ou de nunca ser suficiente. E às vezes com pessoas completamente diferentes. O que leva alguém a repetir o que não funcionou? A psicanálise tem uma resposta que não passa por culpa nem por falta de esforço.
O que buscamos no outro não é arbitrário. Desde muito cedo, nas primeiras relações de vínculo da vida, o psiquismo vai aprendendo o que esperar das pessoas próximas: como elas respondem, quando estão presentes, quando se afastam, como se lida com o conflito. Esses aprendizados não ficam guardados como memórias conscientes. Eles ficam como padrões relacionais — aquilo que a psicanálise, desde Freud, nomeia como compulsão à repetição —, como uma espécie de roteiro que se encena de novo em cada novo vínculo, muitas vezes sem que a pessoa perceba que está seguindo um roteiro.
Atendo em Joinville e online com abordagem psicanalítica, trabalhando com crianças, adolescentes, adultos e casais. A terapia de casal dentro dessa perspectiva não parte de técnicas de comunicação, embora a comunicação importe. Ela parte de entender o que cada pessoa traz da própria história para o espaço que constroem juntos, porque o conflito entre dois quase sempre é também o encontro de dois repertórios distintos de vínculo.
Perceber o roteiro não garante sair dele de um dia para o outro. Mas cria uma distância mínima que, com tempo e com escuta, vai permitindo escolhas diferentes. Às vezes o relacionamento muda. Às vezes a pessoa é que muda o suficiente para que o próximo relacionamento seja diferente.