Tolerância ao mal-estar: o que a DBT propõe para o momento de crise

Existem momentos em que não há o que resolver. A notícia já chegou, a discussão já aconteceu, a pessoa já foi embora. O que resta é atravessar a próxima hora sem piorar as coisas. É exatamente para esses momentos que a Terapia Comportamental Dialética criou um grupo específico de habilidades DBT, chamado tolerância ao mal-estar.

A proposta começa por um reconhecimento que alivia: sentir dor não é sinal de fraqueza nem erro de manejo. Faz parte de estar vivo e de se importar com alguma coisa. O problema não é a dor em si, é o que fazemos quando ela fica insuportável e a gente busca alívio a qualquer custo. Beber, se cortar, mandar aquela mensagem, romper de vez, gastar o que não tem. Tudo isso funciona por alguns minutos e cobra caro depois. As habilidades de tolerância ao mal-estar existem para ocupar esse intervalo, o intervalo entre o pico da emoção e a decisão que você tomaria e depois lamentaria.

Na prática, são recursos concretos: mudar a temperatura do corpo com água fria, gastar energia física por alguns minutos, ancorar a atenção nos cinco sentidos, adiar a decisão por meia hora. Não são truques para se sentir bem, e é importante dizer isso. Servem para segurar a onda até ela baixar, porque ela baixa. Depois, com a cabeça mais fria, dá para trabalhar o que está por baixo, como escrevi em desregulação emocional. Atendo em TCC em Joinville e online, e me apresento com mais calma na minha página.

Se você já tentou “só se acalmar” e não deu certo, não é falta de vontade. Habilidade se aprende e se treina, de preferência fora da crise, para estar disponível quando a crise chegar. E quando o sofrimento é intenso ou recorrente, treinar acompanhado faz diferença.

Rolar para cima